O jogo da sedução adentrou o território da tecnologia e da moda, resultando na mais nova aposta de mercado: a lingerie com GPS.

A sensação do momento, lingerie com GPS da Lindelucy. Foto:Lindelucy
Lançada durante a feira “Só Para Mulheres - Encontro Nacional da Mulher Moderna", que terminou, ontem, no Palácio de Convenções do Anhembi, em São Paulo, o corpete com aparelho localizador via satélite foi idealizado pela empresária Lúcia Iório, dona da Lindelucy, confecção do segmento underwear, localizada em Juruaia, no Sul de Minas.
Não é de hoje que Lúcia investe em tecidos delicados e exclusivos, detalhes preciosos e shapes inusitados, alguns, inclusive, com modelagens ousadas, para arrebanhar a clien
tela. Em 2007, por exemplo, a empresária lançou um espartilho em
cetim com alças em ouro branco e cravejado de pedras preciosas. Logo depois, veio a lingerie com pena de faisão e ametista. Mas nada se compara ao frisson que o corpete com GPS vem causando.
A idéia de esculpir o corpo e desvelar o mesmo pelo jogo de decotes e transparências ganha um aditivo a mais: a sedutora brincadeira de esconder e achar dos amantes. “Ache-me se for capaz!” é o slogan para que a roupa, no caso o corpete, se desvencilhe da função de proteção e pudor para adentrar no poderoso campo da fantasia.
Para Lúcia, a idéia de inserir o GPS na lingerie extrapola a esfera tecnológica, sugerindo brincadeira de sedução e, especialmente, emprestando maior poder ao sexo frágil, uma vez que cabe à mulher ligar ou desligar o botão do aparelho que a localiza.
Isso porque, segundo o empresário Theodoros Megalomapidis, proprietário da FindMe, que desenvolveu o aparelho, a dinâmica do GPS é enviar de minuto a minuto a localização da pessoa. A senha, segundo ele, é o grande segredo para fazer parte da brincadeira. Com ela, o usuário pode entrar no site e localizar, com base nas coordenadas de latitude, longitude e altitude, a pessoa amada em qualquer parte do Brasil. O responsável pelo rastreamento é um aparelho de nome “people finder”, localizador de pessoas, em inglês. Acoplado à lingerie, o “people finder” ganhou um lugarzinho todo especial no corpete. Ele fica em uma espécie de bolso interno da peça e cria um visual bastante inusitado contrastando a transparência do tule à pequena parafernália tecnológica.
O espartilho, que no passado comprimiu o corpo feminino, construindo por amarrações e barbatanas a linha da cintura, aportou na segunda metade do século XX como sinônimo de fetiche e nunca mais saiu de cena.

Elementos românticos, transparências e fendas inovam a lingerie da Lindelucy. Foto:Lindelucy
A londrina
Vivienne Westwood foi uma das primeiras estilistas a explorar o fi
lão, em modelito, de 1985, que fazia subir os seios. Antes disso, nos anos 50, o costureiro
Jacques Fath criou poderoso vestido noite em cetim rosa e espartilho de apertar subindo pelas costas. Mas foi com a toda poderosa Madonna que o espartilho de seios pontudos by Jean-Paul Gaultier ganhou força nos final dos anos 80, início dos 90. O espartilho também foi tema recorrente nas coleções de
Thierry Mugler, que ousou em exagerados modelos em
couro. Já no trabalho do tunisiano Azzadine Alaïa, a peça transcendeu a esfera íntima passando a fazer parte de looks urbanos.
Fetiche ou não, a moda utiliza as mais variadas ferramentas para encantar o consumidor. Terreno fértil para fantasias e fetiches, a idéia da lingerie com GPS ganha uma nova função, segundo Theodoros Megalomapidis, que apostou no quesito segurança como mais uma atrativo para a peça. Ao acionar o botão de pânico, um pedido de ajuda é emitido para até cinco pessoas cadastradas no sistema, ou seja, para quem têm a senha.

Elementos românticos, transparências e fendas inovam a lingerie da Lindelucy. Foto:Lindelucy

Corpete com lugar certo para tecnologia e brincadeira só na lingerie da Lindelucy. Foto:Lindelucy
O sucesso da lingerie (primeira a ser patenteada pela empresa) abriu caminho para a FindMe apostar em outras parcerias, como a acoplagem do "people finder" em jaquetas e mochilas. A novidade, segundo Megalomapidis, que preferiu guardar segredo sobre o novo fabricante, deve chegar ao mercado no final de novembro próximo.
Para adquirir a lingerie com GPS da Lindelucy é preciso encomendar a peça. O prazo estimado para entrega é de, no máximo, 30 dias, e o consumidor deve desembolsar de R$ 1750 a R$ 2.500, dependendo do padrão do equipamento GPS desejado.
A empresária Lúcia Iório pretende agora abrir lojas próprias da Lindelucy em Belo Horizonte e São Paulo. Com produção mensal de 15 a 25 mil peças e desenvolvimento de seis a sete linhas no mesmo período, Lúcia, que começou há 14 anos produzindo lingerie dentro da própria casa, tem buscado parceiros para a nova investida.
Juntamente com 40 confeccionistas da cidade, Lúcia participou do projeto de desenvolvimento do setor promovido pelo Sebrae-MG na região. Com a iniciativa, as empresas investiram em qualidade e inovação tecnológica. Dados da Associação Comercial e Industrial de Juruaia (Aciju) apontam para a produção de 500 mil peças (moda íntima, linha noite e fitness) e faturamento anual de 80 milhões. O pólo de confecção de Juruaia também é responsável pela geração de 2 mil empregos na cidade.
Lindelucy – WWW.lindelucy.com.br
Rua dos Gomes, 627, Centro, Juruaia (MG). Telefone: (35) 3553-1347
Lady Campos
Jornalista de Moda