
O Legado de Alexander McQueen.. Foto:Divulgação
O último trabalho desenvolvido pelo designer
Alexander McQueen ficou guardado às sete chaves com sua equipe que, com muita honra e dedicação realizou uma exposição digna do estilista que em sua carreira esteve sempre elevando o nível da alta costura atual.
Sarah Burton, sua mão direita, destacou que para dar início à coleção Outono Inverno 2010 2011, McQueen procurou se distanciar do universo virtual, o qual ele havia explorado tão bem na última temporada. O desejo do estilista era voltar a se dedicar ao trabalho artesanal, pelo qual sempre foi apaixonado, assim como buscou, também, dar valor a tudo que vem se perdendo ou sendo esquecido no mundo da moda.
Com os olhares sob antigos períodos históricos, Alexander encontrou uma beleza quase clássica em obras de arte dessa época; das quais, com um quê macabro, trouxe seus anjos, caveiras e os aspectos religiosos, propriamente ditos, para o que seria seu último espetáculo.
O que o designer vinha preparando para seu desfile durante a Semana de Moda de Paris tinha um toque poético medieval visível nas iconografias religiosas, que foram combinadas com atributos os quais retraçam elementos de suas coleções passadas. O material usado para a criação dessas peças foi encomendado pelo estilista que buscou estampar em seu jacquard, impressões digitais de pinturas de Bosch onde anjos e demônios ornamentavam seus vestidos-capa e os curtinhos drapeados, que foram vistos nessa nova proposta.
Calma e serenidade são os sentimentos que as peças de McQueen transmitem ao serem observadas dentro do cenário atípico que foram apresentadas em Paris; sem todo o tumulto e agitação típicos dos desfiles. Indo a direção contrária à contida moda que tem sido proposta, o criador britânico emprestou a graciosidade das Madonnas medievais e de imperatrizes Bizantinas para desenvolver, à sua melhor maneira, os vestidos que mesmo simples esbanjavam requinte em linhas atenuadas e formas estruturadas.
Com cabeças cobertas por ataduras, as modelos evidenciaram o contexto rebelde britânico que consagrou o estilo do designer, ao mesmo tempo em que revelavam maior similaridade com os retratos característicos da fase medieval do norte europeu. Quando uma jaqueta de gola alta cortada inteiramente em penas douradas foi apresentada, os primeiros passos de Alexander rumo ao sucesso no mundo fashion foram relembrados.
A semelhança com a coleção de 1997, baseada em Icarus desenvolvida pelo designer ainda quando estava dirigindo o setor criativo da grife
Givenchy era visível, assim como a melhora na habilidade de McQueen, sobretudo, no delicado trabalho do bordado aplicado sobre a saia branca composta por inúmeras camadas de tule.
De alguma forma esse look, em específico – que foi o escolhido para fechar a apresentação da Coleção Inverno 2011 do designer -, consegue refletir tudo sobre o estilo de Alexander McQueen; do romantismo ao corte impecável de suas peças.
Talvez, ao contrário do que vimos, o estilista não tivesse escolhido mostrar a riqueza de seu último trabalho de um modo tão simples e intimista - em uma pequena sala ornamentada que privilegiou o acesso de grupos de editores convidados - já que o resultado de tamanha discrição foi, de certa forma, a omissão de todo o potencial desse conteúdo conceitual de sua criatividade. Mas em tais circunstâncias, a escolha da equipe do designer foi ideal, uma vez que este foi, para amigos, familiares e admiradores de seu talento, um momento de tristeza onde as lágrimas não foram poupadas ao admirarem mais uma obra-prima de um primoroso designer que, sem dúvidas, deixa um incrível legado para a moda, mas que também já fez sentir sua ausência nessa Semana de Moda de Paris.
Camila Cemin Rolon
Equipe de Redação Portais da Moda Departamento de Moda